domingo, 20 de agosto de 2017

Trabalho em espaços confinados- risco anoxia e formação de atmosferas explosivas



A asfixia é a dificuldade ou impossibilidade de respirar, podendo resultar de uma obstrução das vias respiratórias, de insuficiências respiratórias, de se estar num meio com falta de oxigénio ou de uma intoxicação por inalação de substancias tóxicas.

Anoxia é a falta de oxigénio consequente.

O ar que normalmente respiramos é composto por 21% de oxigénio+78% azoto+1% gases raros. Quando as taxas de oxigénio diminuem abaixo os 19%, começamos a ter problemas. 

  • 23%-19% de oxigénio – normal 
  • 19%-14%- tonturas, vertigens (aos 17% já temos uma situação muito crítica) 
  • 14%-10% - desmaio 
  • 10%-8%- coma/morte 
  • 8%-0%- morte imediata 

A vítima nem se dá conta de nada !

E como pode acontecer a anoxia ?

Temos 2 hipóteses : 
  • Oxigénio foi consumido : a taxa de oxigénio diminui;
  • Oxigénio foi substituído : a taxa de oxigénio diminui pela presença de outros gases ( como por exemplo o dióxido de carbono, azoto ou árgon). 
Cenário potencial: temos um reservatório que continha azoto que não foi ventilado ou que a ventilação é insuficiente. 

Como identifico a possibilidade de risco de anoxia aquando uma intervenção em espaço confinado ? 

  • Existe decomposição de substâncias biológicas (libertação de dióxido de carbono); 
  • Presença de gases inertes do processo (ex:azoto);
  • Libertação de gases em soldaduras (ex :árgon);
  • Fugas nas tubagens, nos recipientes, cisternas, ao nível das válvulas etc;
  • Falta de reciclagem de ar (acumulação de dióxido de carbono, diminuição de oxigénio);
  • Oxidação de metais (consumo de oxigénio).
Mas a alteração da atmosfera num espaço confinado, também pode dar origem ao risco de explosão.Sugiro que dêem uma olhada no artigo Como se formam atmosferas explosivas .

Num espaço confinado é possível de encontrar o risco de explosão quando temos uma fonte de ignição (chamas nuas, faiscas, electricidade estática, curto circuitos etc) e :

  • Resíduo de produto ;
  • Fugas ou aberturas acidentais de válvulas ;
  • Camadas de gases inflamáveis a alturas diferentes ;
  • Poeiras em suspensão ;
  • Aumento de temperatura de produtos.

Continuarei o assunto dos riscos em espaços confinados no próximo post. Fico a aguardar as vossas experiências ou questões.


Até à próxima!


sábado, 12 de agosto de 2017

Trabalho em espaços confinados- riscos químicos




Como decerto saberão, existe o regulamento CRE já instituído há algum tempo. Se quiserem fazer um refresh sobre este assunto podem ver o artigo Regulamentação CRE - resumo.

Quanto aos riscos químicos, as vias de entrada no organismo poderão dar-se por inalação, digestão e contacto com a pele. Existem também agentes que provocam a destruição de tecidos vivos, outros são tóxicos, irritantes, cancerígenos etc.

As intoxicações podem ser agudas (grande concentração do agente/exposição de curta duração) ou crónicas (concentração baixa do agente/exposição longa duração).

Bom, mas estamos aqui para falar dos riscos químicos, especificamente para o trabalho em espaços confinados, logo a pergunta que se impõe :

Como é possível prever riscos químicos numa intervenção em espaços confinados ?

Aqui vão alguns exemplos:
  • Resíduo de produto químico nas paredes e no solo ;
  • Gases de produtos residuais ;
  • Fugas (sobretudo se temos tubagens/cisternas/válvulas/junções etc)
  • Derrame intempestivo de produtos ;
  • Deconsignações eléctricas, chegada de fluidos ;
  • Aberturas de válvulas ;
  • Camadas de gases a alturas diferentes ;
  • Preenchimento de um espaço pelos produtos;
  • Subida de gás pelos equipamentos ligados à instalação.
Depois as consequências dependerão, obviamente, do tipo de agente químico. Daí ser extremamente importante :
  • tomar conhecimento dos produtos que ocuparam os reservatórios;
  • conhecer fichas de dados de segurança dos mesmos;
  • conhecer os tipos de gases que se poderão formar e em que condições (p.e. temperaturas altas).

Bom, depois de consolidar esta parte, falaremos mais sobre o assunto em breve.

Até à próxima!


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