domingo, 29 de outubro de 2017

Trabalho em espaços confinados- algumas características de gases perigosos


Olá! Hoje vamos falar um pouco de gases perigosos. 

Nas intervenções em espaços confinados é necessário tê-los em conta, devido à ventilação deficiente que estes locais apresentam.

Obviamente que a lista que vos vou apresentar não será exaustiva, mas já dá para terem uma ideia e sobretudo terem noção do quão importante é a preparação do trabalho de forma a minimizarmos os riscos.


Monóxido de carbono (CO)- Gás pouco solúvel em água, tóxico e extremamente inflamável, podendo formar uma mistura explosiva com o ar. Este gás é formado em combustões incompletas (exemplos :utilizações de motores, equipamentos de aquecimento a carvão/gás, hidrocarbonetos líquidos). Não tem odor, logo, para o detectar são necessários equipamentos com sensores. Sinais de alerta: tonturas, náuseas, dores de cabeça, crises de tosse entre outros (sintomas dependem de pessoa para pessoa). Já repararam em alguns parques de estacionamento fechados a existência de detectores de monóxido de carbono? Pois bem, uma medida de segurança extremamente importante e que é implementada em Portugal;

Dióxido de carbono (CO2) – gás solúvel em água, apresenta características asfixiantes na medida em que diminui a taxa de oxigénio do ar. Tem como efeito a perturbação das funções respiratória e circulatória e é um gás depressor do sistema nervoso central.
Pode-se formar aquando combustão (utilização de motores a explosão), de putrefações ( esgotos, poços), fermentações alcoólicas (cubas de vinificação, produção de cerveja…), decomposição de carbonato de cálcio em meios ácidos (por exemplo em instalações subterrâneas de terrenos calcários);

Sulfureto de hidrogénio (H2S)- gás pouco solúvel em água, muito tóxico e extremamente inflamável. Forma-se naturalmente nas fermentações anaeróbias de matéria orgânica ( exemplo clássico: alguns sistemas de tratamento de aguas são anaeróbios). Este gás representa um perigo permanente na proximidade de efluentes ricos em matéria orgânica e com pouca ventilação. Particularmente, o sulfureto de hidrogénio pode-se encontrar sob a forma hidratada, solida e passar bruscamente sob a forma gasosa. É possível de detecção pelo odor, sendo desagradável, descrito como "odor a ovos podres". é ligeiramente mais pesado do que o ar, logo terá tendencia a acumular-se no fundo de espaços pouco ventilados. Uma concentração de 0.07% é o suficiente para uma paralisia das funções respiratórias e morte.

Metano (CH4) – gás pouco solúvel em água e extremamente inflamável. Forma-se naturalmente aquando a decomposição anaeróbia de matéria orgânica. Não tem odor, ao contrário da crença popular;

Amoníaco (NH3) – gás muito solúvel em agua, tóxico, irritante e inflamável. Pode-se libertar de efluentes vindos de explorações animais.Tem um odor forte e irritante;

Cloro (Cl) – Gás pouco solúvel em água, tóxico e irritante. Não é inflamável, mas devido a ser muito reactivo quando misturado com outras substancias como por exemplo o hidrogénio, amoníaco, acetileno, pode originar explosões e incêndios. O cloro é utilizado de forma corrente no tratamento de agua potável;

Dióxido de cloro (ClO2) – Gás insolúvel em agua, tóxico, corrosivo e altamente oxidante. O dióxido de cloro pode originar explosões, incêndios devido ao seu poder de oxidação. Sendo um elemento instável, pode-se decompor e formar atmosferas explosivas em contacto com fontes de energia (raios solares, calor…) assim que a sua concentração seja superior a 10% no ar. Pode ser utilizado para tratamento de agua potável;

Ozono (O3) – Gás pouco solúvel em agua, irritante e altamente oxidante. Pode contribuir para incêndios e explosões devido às suas propriedades oxidantes. O ozono pode-se formar a partir do oxigénio atmosférico, por acção de raios ultravioleta ou de descargas eléctricas/electrostáticas. O ozono pode ser utilizado para tratamento de aguas.


Em breve vou apresentar as medidas de prevenção a tomar relativamente aos gases perigosos para intervenções em espaços confinados.

E vocês, há algum outro gás perigoso nas vossas actividades em espaços confinados?

Até à próxima!


domingo, 20 de agosto de 2017

Trabalho em espaços confinados- risco anoxia e formação de atmosferas explosivas



A asfixia é a dificuldade ou impossibilidade de respirar, podendo resultar de uma obstrução das vias respiratórias, de insuficiências respiratórias, de se estar num meio com falta de oxigénio ou de uma intoxicação por inalação de substancias tóxicas.

Anoxia é a falta de oxigénio consequente.

O ar que normalmente respiramos é composto por 21% de oxigénio+78% azoto+1% gases raros. Quando as taxas de oxigénio diminuem abaixo os 19%, começamos a ter problemas. 

  • 23%-19% de oxigénio – normal 
  • 19%-14%- tonturas, vertigens (aos 17% já temos uma situação muito crítica) 
  • 14%-10% - desmaio 
  • 10%-8%- coma/morte 
  • 8%-0%- morte imediata 

A vítima nem se dá conta de nada !

E como pode acontecer a anoxia ?

Temos 2 hipóteses : 
  • Oxigénio foi consumido : a taxa de oxigénio diminui;
  • Oxigénio foi substituído : a taxa de oxigénio diminui pela presença de outros gases ( como por exemplo o dióxido de carbono, azoto ou árgon). 
Cenário potencial: temos um reservatório que continha azoto que não foi ventilado ou que a ventilação é insuficiente. 

Como identifico a possibilidade de risco de anoxia aquando uma intervenção em espaço confinado ? 

  • Existe decomposição de substâncias biológicas (libertação de dióxido de carbono); 
  • Presença de gases inertes do processo (ex:azoto);
  • Libertação de gases em soldaduras (ex :árgon);
  • Fugas nas tubagens, nos recipientes, cisternas, ao nível das válvulas etc;
  • Falta de reciclagem de ar (acumulação de dióxido de carbono, diminuição de oxigénio);
  • Oxidação de metais (consumo de oxigénio).
Mas a alteração da atmosfera num espaço confinado, também pode dar origem ao risco de explosão.Sugiro que dêem uma olhada no artigo Como se formam atmosferas explosivas .

Num espaço confinado é possível de encontrar o risco de explosão quando temos uma fonte de ignição (chamas nuas, faiscas, electricidade estática, curto circuitos etc) e :

  • Resíduo de produto ;
  • Fugas ou aberturas acidentais de válvulas ;
  • Camadas de gases inflamáveis a alturas diferentes ;
  • Poeiras em suspensão ;
  • Aumento de temperatura de produtos.

Continuarei o assunto dos riscos em espaços confinados no próximo post. Fico a aguardar as vossas experiências ou questões.


Até à próxima!


sábado, 12 de agosto de 2017

Trabalho em espaços confinados- riscos químicos




Como decerto saberão, existe o regulamento CRE já instituído há algum tempo. Se quiserem fazer um refresh sobre este assunto podem ver o artigo Regulamentação CRE - resumo.

Quanto aos riscos químicos, as vias de entrada no organismo poderão dar-se por inalação, digestão e contacto com a pele. Existem também agentes que provocam a destruição de tecidos vivos, outros são tóxicos, irritantes, cancerígenos etc.

As intoxicações podem ser agudas (grande concentração do agente/exposição de curta duração) ou crónicas (concentração baixa do agente/exposição longa duração).

Bom, mas estamos aqui para falar dos riscos químicos, especificamente para o trabalho em espaços confinados, logo a pergunta que se impõe :

Como é possível prever riscos químicos numa intervenção em espaços confinados ?

Aqui vão alguns exemplos:
  • Resíduo de produto químico nas paredes e no solo ;
  • Gases de produtos residuais ;
  • Fugas (sobretudo se temos tubagens/cisternas/válvulas/junções etc)
  • Derrame intempestivo de produtos ;
  • Deconsignações eléctricas, chegada de fluidos ;
  • Aberturas de válvulas ;
  • Camadas de gases a alturas diferentes ;
  • Preenchimento de um espaço pelos produtos;
  • Subida de gás pelos equipamentos ligados à instalação.
Depois as consequências dependerão, obviamente, do tipo de agente químico. Daí ser extremamente importante :
  • tomar conhecimento dos produtos que ocuparam os reservatórios;
  • conhecer fichas de dados de segurança dos mesmos;
  • conhecer os tipos de gases que se poderão formar e em que condições (p.e. temperaturas altas).

Bom, depois de consolidar esta parte, falaremos mais sobre o assunto em breve.

Até à próxima!


segunda-feira, 17 de julho de 2017

Trabalhos em espaços confinados - O que é um espaço confinado?

Um espaço confinado é um espaço totalmente ou parcialmente fechado não concebido para ser ocupado por pessoas, mas com dimensões suficientes para passagem da cabeça ou mesmo para entrada de uma ou mais pessoas ;

Aqui são apresentadas algumas características deste tipo de espaços :
  • Em determinadas situações é necessário aceder para efectuar tarefas de manutenção, inspecção, reparações, construção, etc ;
  • Pode ter acessos difíceis (escadas verticais etc);
  • Pode ser equipado de meios limitando o acesso ou que impeçam uma ventilação adequada.

Assim, pelas caracteristicas, um espaço confinado pode acarretar riscos para a saude e segurança das pessoas que ali intervêem.

Exemplos de espaços confinados :
Poços, cisternas, fossas, reservatórios, cubas, silos, sistemas de esgotos, condutas de gás, chaminés, espaços de manutenção subterrâneos etc

Então, mas porque é que um espaço confinado é perigoso ?

Porque são locais onde o ar não é facilmente renovado. Logo, os riscos ligados a todas as actividades/processos que geram ou libertam substancias tóxicas ou que consomem oxigénio acabam por ser amplificados. Para além disso, como a evacuação do local por vezes é difícil devido aos acessos ou falta de luz, solos escorregadios, obstáculos… Estão a imaginar, certo?

Sabia que…
65% dos acidentes mortais em espaços confinados são causados por uma atmosfera deficiente em oxigenio ou toxica.
50% das mortes sao de pessoas que tentaram salvar alguém num espaço confinado.

Só para terem uma ideia, enumero aqui os riscos que são mais comuns nos trabalhos em espaços confinados :
- Químicos ;
- Anoxia/gases perigosos
- Incêndio/explosão
- Biológico
- Mecânico
- Eléctrico
- Ligados à configuração do espaço
- Térmicos
- Queda
- Ruído
- Afogamento/soterramento
- Instrumentos específicos
- Ligados ao trabalho a executar

A lista é grande, por isso , próximos posts vou aprofundar alguns destes riscos.

Até à próxima!

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