terça-feira, 30 de junho de 2015

Como implementar na prática a directiva ATEX?


 Basicamente a legislação ATEX para postos de trabalho faz duas grandes distinções entre atmosferas explosivas causadas por:
- substâncias inflamáveis em forma de gás, vapor ou névoa
- poeira combustível

As medidas de prevenção baseiam-se em definir zonas, consoante a probabilidade de formação da atmosfera explosiva seja permanente, ocasional ou pontual.


Probabilidade de formação da atmosfera explosiva
Permanente ou durante longos períodos de tempo
Ocasional
Não provável em condições normais de funcionamento ou curta duração
Gás /vapor ou névoa
Zona 0
Zona 1
Zona 2
Nuvem de poeira combustível
Zona 20
Zona 21
Zona 22

E dependendo da classificação de zonas, teremos medidas de prevenção mais ou menos estritas.

Os documentos de orientação que recomendo a este nível são a consulta do Guia de Boas Práticas [1], a norma EN 1127-1:2011.

Etapas na prática:

- Verificar risco de explosão
Avaliar risco de formação de atmosfera explosiva, sua duração e respectivos locais;
Avaliar possíveis fontes de ignição.

- Medidas de protecção e prevenção




Vou começar por verificar em primeiro lugar o risco de explosão. Para tal temos de saber o seguinte:

           1.    Estão presentes substâncias inflamáveis?

Aqui contam todas as substâncias inflamáveis que são inseridas no processo de fabrico/serviço, mas também ter em atenção àquelas que se podem formar no decorrer do mesmo, tanto em condições normais como anormais.

O que procuramos são 2 grandes grupos de substâncias inflamáveis:
- Substâncias em forma de gás, vapor ou névoa (e líquidas também, pois poderão originar um dos estados);
- Poeiras (As poeiras é a denominação dada a partículas sólidas cujo o seu diâmetro é igual ou inferior a 0,42 mm.)

Alguns exemplos de poeiras: carvão, magnésio, farinha, leite em pó, pó de madeira.

Portanto verificar se há substâncias inflamáveis como:
- Matéria prima ou auxiliar;
- Produto residual, intermédio ou final;
- Produto residual devido a falha.

O que fazemos nesta fase:
- Fazer levantamento de todas as substâncias inflamáveis utilizadas (gases, líquidos, poeiras de substâncias sólidas, névoas etc) ou passíveis de se formar devido ao processo em si, misturas etc.

     2.    Poderá formar-se uma atmosfera explosiva devido à dispersão destas substâncias?

Nesta fase temos de verificar as propriedades e quantidades utilizadas.

Portanto, temos a lista de substâncias e vamos recolher as informações sobre cada uma, os locais de utilização ou possível formação, bem como respectivas quantidades. Aqui ajuda muito ter as fichas de dados de segurança para saber as informações relativas à substância, se bem que por vezes a mesma está incompleta e temos de procurar essa informação noutros locais.

No caso das características das substâncias vamos separar em dois grupos:
-gases/vapores/névoas (aqui também pomos as substâncias em estado líquido, pois poderão passar para estado gasoso);
- Poeiras

Para o caso de gases, vapores e névoas vamos saber:

  • Nome da substância
  • Nº CAS
  • Estado físico do material (se líquido, gás, poeira…)
  • Ponto de inflamação (*)
  • Limite inferior de explosividade em kg/m3 ou % volume
  • Volatilidade a pressão de vapor a 20ºC
  • Volatilidade ponto de ebulição
  • Densidade relativa
  • Temperatura de auto-inflamação
  • Classe de temperatura (esta classificação tem a ver com temperatura de auto-inflamação)
  • Peso molecular


Para o caso das poeiras

  • Nº CAS
  • Nome
  • Temperatura mínima de ignição para camada de 5 mm e 15 mm (ºC)

E verificar também para a nuvem de poeiras

  • Limite inferior de explosividade em % volume
  • Temperatura mínima de ignição (ºC)
  • Pressão máxima de explosão(bar)
  • Razão máxima de explosão(bar/s)
  • Constante de poeiras*
  • Classe de explosão
  • Calor de combustão de incêndio


Portanto, será mais fácil ter toda esta informação em tabela, juntamente com quantidades e locais. A partir daqui, vamos verificar segundo as características aquelas que nos poderão causar atmosferas explosivas.

Resumindo tudo, para saber se se pode formar atmosfera explosiva há que:
- Listar todas as substâncias inflamáveis (gases e poeiras);
- Analisar as suas características, locais, operações e quantidades utilizadas;
- Verificar se a dispersão pode originar atmosfera explosiva e por quanto tempo.

Vou continuar com este assunto no próximo post.

Espero que vos tenha sido útil.

Até à próxima!

Fonte (s):
[1] Guia de boa prática de carácter não obrigatório para a aplicação da Directiva 1999/92/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa às prescrições mínimas destinadas a promover a melhoria da protecção da segurança e da saúde dos trabalhadores susceptíveis de serem expostos a riscos derivados de atmosferas explosivas.

[2] Manual Verlag dashöfer online: Higiene e Segurança no Trabalho. (www.hst.pt)


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