terça-feira, 2 de junho de 2015

ATEX - Como e porque é que se formam atmosferas explosivas?



Uma explosão é basicamente uma combustão rápida.
Para haver combustão é necessário existirem as seguintes condições ao mesmo tempo, o chamado triângulo do fogo


triângulo do fogo

Quando um combustível existe no ar em estado de poeiras, vapores e gás pode, entre determinados limites de concentração, formar com o ar ou o oxigénio, misturas explosivas. Estes limites de concentração chamam-se limites de explosividade. Temos então o limite inferior de explosividade e o limite superior. Estes limites formam um intervalo onde a propagação da chama se produz e fora destes limites não.

Mas como podemos saber se a atmosfera é potencialmente explosiva ou não?
Estas atmosferas podem ser detectadas através da utilização de explosímetros.



Como sei que na empresa onde vou fazer a avaliação de riscos poderá ou não existir a formação de atmosferas explosivas?

Quando pensamos em ATEX vem-nos logo a ideia de grandes indústrias como refinarias, indústrias químicas, aterros sanitários e de aglomerados de madeira, mas de facto quase todos os sectores de actividade poderão ter o risco de formação de atmosferas explosivas.
Assim, a primeira coisa que temos de verificar é:

- Em algum ponto do processo produtivo/armazenagem são utilizados, produzidos ou guardados produtos inflamáveis ou se existe a formação de poeiras, gases ou vapores.

Logo, estão a ver que temos uma multiplicidade de actividades com estas características. Alguns exemplos para além dos que já referi:

- Tratamento, secagem e transporte de carvão em pedaços. As poeiras podem formar misturas explosivas com o ar;
- Indústrias de transformação de madeiras: pó das madeiras pode formar misturas explosivas com o ar;
- Indústrias metalúrgicas: pó de metais leves provindos (p.e. de tratamentos de superfície), pode formar misturas explosivas nos separadores;
- Indústria alimentar: transporte e armazenagem de cereais e outro tipo de materiais em pó, pode formar misturas explosivas;
- Tratamento de águas residuais, produção de biogás, digestores etc: há formação de gases de fermentação que podem formar misturas explosivas com o ar;
- Distribuição de gás: o gás natural, propano, butano podem formar misturas explosivas com o ar;
- Cabines de pintura e espaços confinados onde se utilizem tintas em forma de spray também poderão formar-se misturas explosivas devido ao overspray.

No Guia de Boas Práticas [1] são dados alguns exemplos do que pode acontecer e como se dá a explosão. Vou colocar aqui dois:

"1.Numa caldeira alimentada a carvão ocorreu uma explosão durante a realização de trabalhos de limpeza. Os dois trabalhadores sofreram queimaduras mortais.
Verificou-se que a explosão tinha sido provocada por um aparelho de iluminação com o cabo de ligação defeituoso. Um curto-circuito provocou a ignição da poeira de carvão levantada.

2.Num misturador procedia-se à mistura de poeiras impregnadas de solventes. O trabalhador não tinha assegurado a inertização suficiente do misturador antes de iniciar o processo. Durante o enchimento, formou-se uma mistura explosiva de vapores de solvente e ar, que se inflamou sob o efeito de faíscas electrostáticas provocadas pelo enchimento. Este trabalhador sofreu igualmente queimaduras graves."

Espero que tenham gostado deste artigo.

E vocês, já tiveram algum tipo de trabalho onde se formam atmosferas explosivas? Que tipo de medidas implementaram?

Até à próxima!

Fonte(s):
[1] Guia de boa prática de carácter não obrigatório para a aplicação da Directiva 1999/92/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa às prescrições mínimas destinadas a promover a melhoria da protecção da segurança e da saúde dos trabalhadores susceptíveis de serem expostos a riscos derivados de atmosferas explosivas.

[2] Miguel, Alberto Sérgio. Manual de Higiene e Segurança no Trabalho. Porto Editora



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