segunda-feira, 20 de abril de 2015

Gestão risco exposição a amianto (I/IV)- o que é o amianto e quais consequências para a saúde?

Na Europa, Austrália, África do Sul, e alguns países da América Latina a utilização do amianto foi proibida ou fortemente restringida. No caso de Portugal, foi proibida a utilização/comercialização de amianto e/ou produtos que o contenham a partir de 1 de Janeiro de 2005.

É considerada contra-ordenação grave “actividades que exponham os trabalhadores a fibras de amianto aquando da extracção de amianto, do fabrico e da transformação de produtos de amianto ou de produtos que contenham amianto deliberadamente acrescentado.

Mas afinal, do que estamos a falar quando falamos de amianto?

O amianto designa um grupo de minerais (silicatos magnésicos ou cálcicos) conhecidos pelas suas propriedades de isolamento térmico, mecânico e acústico. [1]

O amianto é a forma fibrosa de diversos minerais naturais. Por norma é diferenciado em duas famílias
- Serpentinas: crisótilo (branco)
- Amphiboles: amosite (castanho), crocidolite (azul), tremolite, antofilite, actinolite

As variedades de amianto mais utilizadas foram crisótilo (branco), crocidolite (azul) e amosite (castanho), no entanto não é possível identificá-las exclusivamente pela cor, pelo que para se saber qual a variedade são necessários testes laboratoriais. [2]

Mas e então, qual o problema?

O problema é a inalação e ingestão das fibras de amianto. Estas fibras são microscópicas e podem depositar-se nos pulmões e lá permanecer, podendo provocar doenças anos mais tarde. As fibras de amianto têm dimensões na ordem de micrómetro (μm) sendo 400 a 500 vezes mais pequeno que um cabelo. Cada uma dessas fibras pode-se ainda subdividir e penetrar profundamente nos alvéolos pulmonares.

Doenças profissionais catalogadas em Portugal onde o factor de risco é a exposição ao amianto:

  • Fibrose broncopulmonar ou lesões pleurais consecutivas à inalação de poeiras de amianto com sinais radiológicos e compromisso da função respiratória;
  • Complicações;
  • Insuficiência respiratória aguda;
  • Pleuresias exsudativas;
  • Tumores malignos bronco-pulmonares;
  • Insuficiência cardíaca direita;
  • Mesotelioma primitivo pleural, pericárdico ou peritoneal.

Estas condições de saúde são irreversíveis.

Trabalhos que segundo a legislação poderão originar doenças profissionais devido à exposição ao amianto:

- Extracção, manipulação e tratamento de rochas e minérios com amianto;
- Utilização do amianto no fabrico de tecidos e materiais isolantes e impermeabilizantes, de calços de travões e de juntas de amianto e borracha, de cartão, papel e filtros de amianto e fibrocimento;
- Aplicação, destruição e/ou eliminação de produtos do amianto ou que o contenham.[3]

Assustado? Realmente parece que este material está por toda a parte, mas regra geral, a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde , desde que o material esteja em bom estado de conservação, não seja friável e não esteja sujeito a agressões directas. Qualquer actividade que implique a quebra da integridade do material (corte, perfuração, quebra, etc.) aumenta substancialmente o risco de libertação de fibras para o ar ambiente.[4]

Quando se suspeite da existência de material com amianto e com risco de libertação de fibras para o ar, só com medições feitas com equipamento adequado e por técnicos especializados é que é possível a determinação destas fibras e da sua concentração.

Neste contexto, a confirmação da presença de amianto em determinado material deverá ser feita através de análise em laboratório. Confirmada a presença de amianto será necessário proceder à avaliação da contaminação do ar por fibras respiráveis que requer a intervenção de técnicos com formação especializada e o recurso a equipamento adequado.

Próximo artigo vou continuar a falar sobre este assunto.


Até à próxima!

Fonte(s):
[1]Gestion du risque amiante dans les activités de maintenance (apontamentos workshop)

[2] Comissão Europeia. Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades. Comité de Altos Responsáveis de Inspecção do Trabalho. Guia de boas práticas para prevenir ou minimizar os riscos decorrentes do amianto, em trabalhos que envolvam (ou possam envolver) amianto, destinado a empregadores, trabalhadores e inspectores do trabalho. Lisboa: ACT, 2006.

[3] Decreto-regulamentar 76/2007.

[4] _ Avaliação da contaminação do ar por fibras respiráveis em edifícios com materiais em fibrocimento. Instituto Ricardo Jorge. Maria do Carmo Proença, Fátima Aguiar, Nuno Rosa. 2014




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