terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sistemas de Gestão de Segurança no Trabalho: o que é preciso para se ser auditor na área da Segurança e Saúde no Trabalho?


Uma auditoria é uma etapa fundamental num Sistema de Gestão.
Segundo a NP EN ISO 9000:2005 um auditor é uma pessoa que demonstrou atributos pessoais e competência para realizar uma auditoria. Ok, mas que competências são estas?

domingo, 27 de outubro de 2013

NAPO - recursos para professores

Olá,

Andava por aqui a deambular pela Internet e encontrei este site sobre o NAPO, de quem já tinha falado noutro artigo.

É um óptimo recurso para quem dê acções de sensibilização e formação. 

Espero que gostem e usem nas vossas acções.

Até à próxima!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Desafios e dificuldades na implementação de Sistema de Gestão de Segurança no Trabalho em empresas de construção - Parte II

Esta é a segunda parte do artigo. Caso deseje veja a primeira parte aqui.

Relativamente às competências e formação, o controle dos subcontratados é um ponto que muitas vezes falha ou é difícil de controlar. No entanto a própria norma refere que a organização deverá garantir a competência do pessoal sob o seu controlo, que execute tarefas com impacto na SST. Uma sugestão para que tal não aconteça é a definição contratual destas situações, para que os subcontratados saibam o que deverão cumprir de acordo com este requisito da norma. Além deste ponto para os subcontratados também se poderá verificar dificuldades relativamente aos canais de comunicação. Podem não existir ou serem manifestamente insuficientes ou burocráticos (um exemplo disto será os subcontratados não terem conhecimento da Política).

A dificuldade do controlo de documentos prende-se sobretudo em fazê-los chegar a todas as equipas existentes no terreno e mantê-los efectivamente controlados. Uma opção que se começa a ver é a existência dos mesmos em formato digital, andando cada equipa com um pequeno portátil que contém toda a informação (no entanto há coordenação de segurança que não aceita este tipo de formato). Para pequenas e micro-empresas ainda se vê muito papel nas carrinhas e visto que os trabalhadores muitas vezes os neglicenciam, tornam-se ilegíveis ou obsoletos.

 Relativamente a emergências, a identificação de todas as possíveis torna-se outro desafio consoante o local onde se vai realizar a obra (para além de toda a implementação do plano de emergência, simulacros, etc)

O controlo das verificações aos equipamentos é outro ponto a ter-se em conta e nas empresas de construção, mas uma dificuldade prende-se mesmo em saber onde andam os equipamentos. Em empresas onde haja muitas pequenas equipas, os trabalhadores vão trocando os equipamentos uns com os outros e até os compram sem dar cavaco à segurança no trabalho. A solução passa por responsabilizar os chefes de equipa e criar procedimentos internos para que quando haja trocas, requisições ou compra de equipamento estas sejam do conhecimento do departamento da segurança no trabalho.

O registo de todos os incidentes também é outro ponto que muitas vezes é negligenciado, sobretudo aqueles onde não resultaram grandes danos materiais ou lesões. Muitas vezes descobrimos o que aconteceu já algum tempo depois e aí a investigação já era…

Bom, pelo menos estas foram algumas dificuldades que eu senti. Alguém sentiu outras?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Desafios e dificuldades na implementação de Sistema de Gestão de Segurança no Trabalho em empresas de construção- parte I


Este artigo está dividido em duas partes visto ter ficado um pouco extenso, esta é a primeira parte.

O  sector da construção tem especificidades e montar um Sistema de Gestão de Segurança no Trabalho nesta área é um desafio.

A primeira dificuldade começa logo na definição do âmbito pois a norma (NP 4397) tem flexibilidade suficiente para que a organização decida o que vai certificar de acordo com os seus objectivos. Estranho? Não deveria certificar logo toda a organização?

Imaginemos uma empresa que tem vários estabelecimentos espalhados pelo continente e ilhas e para já só quer certificar os estabelecimentos e respectivas actividades no continente. Bom, pode fazê-lo, mas só poderá usar o certificado relativo às actividades realizadas no continente. As fronteiras deverão estar muito bem definidas.

Outra dificuldade que também pode acontecer será no caso de uma empresa de construção que opere fora do país (agora muitas apostaram em mercados externos), que não tenha limites territoriais no seu âmbito, mas que na prática, quando opera fora do país não tem implementado o sistema nessas zonas. Isto é uma dificuldade (e pode levar a Não Conformidade).

Também quando as empresas utilizam outra personalidade jurídica para conseguirem um contrato (por exemplo usando um agrupamento de empresas) o âmbito é para a empresa e não para o agrupamento, portanto para esse tipo de obras também não deverão “bandeirar” a certificação por esta norma (a não ser que todas as empresas do agrupamento sejam certificadas, isto já é diferente!).

Outro desafio para este tipo de organização é a actualização das avaliações de riscos, do próprio documento em si mas também da comunicação deste aos trabalhadores (sim, porque a avaliação de riscos NÃO É para ficar na gaveta). Portanto, em empresas onde as obras são realizadas em estaleiros diferentes, apesar das actividades e tarefas muitas vezes serem as mesmas, o nível de risco É diferente, portanto convém existir uma avaliação de riscos por obra. Como devem calcular, isto é fonte de imenso trabalho para o técnico de segurança, pois parece que está sempre a fazer a mesma coisa. Uma técnica que muitos utilizam é terem já pré-preparada uma base de dados com a listagem de tarefas e riscos e depois adaptam a cada obra (o que muitas vezes não acontece e pumba… Não Conformidade). A nossa legislação nesse aspecto já prevê  as Fichas e PSS (ver artigo Plano de Segurança e Saúde ou Ficha de Procedimentos de Segurança)

 Ainda falando nas avaliações de riscos, uma dificuldade que também tive com empresas de construção será seguir a hierarquia relativa à determinação de controlo dos riscos (estou a falar da eliminação, substituição, aplicação de controlos de engenharia…), pois devido ao carácter temporário de algumas obras, a aplicação de todas as medidas possíveis não se torna viável, ficando as medidas cingidas a sinalização, equipamentos de protecção colectiva e individual.



Até à próxima!


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Visão dos trabalhadores europeus relativamente a Stress no Trabalho


Em 2013 foi publicado um estudo europeu [1] onde uma das questões abordadas foi o stress no trabalho. Achei interessantes, mas não conclusivos os resultados deste inquérito, nomeadamente as razões apontadas para o stress no trabalho.

A maioria dos inquiridos referiu como principais causas de stress no trabalho as horas e volume de trabalho bem como a reorganização e insegurança no trabalho. Aqui fiquei com dúvidas relativamente ao que consideram insegurança no trabalho: precariedade dos contratos de trabalho ou insegurança efectiva nas condições de trabalho? Ou seja, falta de meios de prevenção e protecção?

Relativamente às horas e volume de trabalho, sabemos que muitas vezes as horas trabalhadas vão muito além das horas remuneradas (sim, porque nem todos recebem “horas extraordinárias”, mesmo que as façam). Isto pode demonstrar duas realidades diferentes: excesso de trabalho efectivo para uma pessoa ou falta de produtividade ou falha na gestão de tempo do trabalhador.

Para o caso de excesso de tarefas para uma só pessoa, a solução pode passar por uma reorganização das tarefas de forma a “dividir” tarefas com outro colega que não esteja tão sobrecarregado ou no limite ter de se contratar novo colaborador, podendo esta contratação ser em part-time, por exemplo (algo pouco explorado em Portugal). Caso se mantenha o trabalhador sobrecarregado entrará mais tarde ou mais cedo em Burnout (ver artigo sobre Stress no Trabalho) e a produtividade foi-se.

No caso de falta de produtividade da pessoa, considero que por vezes acontecem falhas na gestão de tempo ou até mesmo da organização que levam a esta consequência. A formação inicial para as tarefas que vai executar é crucial, mas muitas vezes negligenciada. Mas íamos entrar noutro mundo de considerações, que nada têm a ver com segurança e saúde no trabalho.

Depois outro resultado curioso foi o facto de na globalidade cerca de metade dos inquiridos ter referido o stress no trabalho como muito comum/comum no espaço de trabalho. Ou seja, é um risco grandemente percepcionado pelos trabalhadores (nos resultados para o Chipre este valor foi muito elevado). No entanto, também consideraram que nos seus respectivos locais de trabalho, o stress no trabalho é bem gerido (seja lá o que isto quererá dizer).

Caso entendam interessante visualizar o estudo clique aqui.
Até à próxima!

Fontes usadas para este artigo:

[1]  Inquérito de opinião pan-europeu sobre segurança e saúde ocupacional promovido pela Agencia Europeia de Segurança e Saúde no Trabalho, realidado por Ipsos MORI em conformidade com as normas descritas na ISO 20252, disponível em: https://osha.europa.eu/pt/safety-health-in-figures/index_html#tabs-2

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Sistemas de Gestão de Segurança no Trabalho: que referenciais normativos utilizar?

A Organização Internacional do Trabalho desenvolveu um documento para Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST) : Diretrizes Relativas aos Sistemas de Gestão da Segurança e da Saúde no Trabalho (ILO-OSH 2001) [1].

O referencial normativo mais usual não é uma norma ISO, mas sim referenciais da British Standard Institution (BSI).
-BS OHSAS 18001 - Occupational Health Safety Management Systems - Requirements, referencial que pode ser sujeito a certificação, e 
-BS OHSAS 18002 - Occupational Health Safety Management Systems - Guidelines for the implementation of OHSAS 18001.
- BS 18004: 2008 Guide to achieving effective occupational health and safety performance.

 Em Portugal as normas utilizadas são NP 4397, que tem os requisitos para um SGSST e a NP 4410 que tem as linhas de orientação para implementação de um SGSST tendo como referencial a NP 4397.
Se efectuarem uma pequena pesquisa, conseguirão visualizar muitos sites onde é discriminada a história deste tipo de referenciais e o porquê do seu aparecimento. No site da IOSH existe um pequeno resumo [3].
Então que normas utilizar?

A ILO-OSH 2001 tem orientações para implementar Sistema de Gestão de Segurança mas não é passível de certificação. Para uma organização que pretenda organizar-se apenas sem certificação a sua implementação poderá ter algum interesse. Este referencial normativo não tem qualquer vínculo legal, sendo voluntário e não pretende substituir as leis nacionais e internacionais [1].

Relativamente às normas OSHAS 18000, temos uma que é certificável (o que para muitos será o objectivo) e outra orientativa (OSHAS 18002). A sua redacção teve em conta a estrutura e o principio PDCA (Plan, Do, Check, Act) das normas ISO 9001 e 14001. Portanto, em organizações onde estas normas já existirão, a integração torna-se mais fácil. Em Portugal a norma correspondente é a NP 4397 como a norma certificável e a orientativa para a implementação é a NP 4410.

Se este tema interessa veja também As Principais Vantagens em Implementar SGSST.

Até à próxima!

Fontes
[1] Guidelines on occupational safety and health management systems (ILO-OSH 2001) disponível em: http://www.ilo.org/safework/info/standards-and-instruments/WCMS_107727/lang--en/index.htm

[2] NP 4397:2008 Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho Requisitos. CT 42. Dezembro 2008.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

domingo, 13 de outubro de 2013

Curtas - Cimeira encerramento Campanha "Locais de trabalho seguros e saudáveis 2012-2013

O evento de encerramento da Campanha «Locais de trabalho seguros e saudáveis 2012-2013», com o lema «Juntos na prevenção dos riscos profissionais», terá lugar em 11-12 de novembro de 2013 no centro de conferências Bizkaia Aretoa de Bilbau, em Espanha.

Para ver mais sobre esta notícia e outras clique aqui

Até à próxima!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

As principais vantagens em implementar um Sistema de Gestão de Segurança no Trabalho

Um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SGSST) tem como principal vantagem, na minha modesta opinião, a incorporação da segurança e saúde no trabalho na gestão quotidiana da organização, envolvendo todos os colaboradores.

Um facto apontado por um estudo [1] realizado há alguns anos para o IAPMEI, apontava a conclusão de que as empresas que implementaram SGSST, ou estavam em fase de o fazerem, eram mais activas na área da Segurança e Saúde no Trabalho (SST) que as restantes empresas.

Portanto, pelo menos neste aspecto a SST será mais participada, o que é positivo, a meu ver, no entanto, quais os reais ganhos para uma empresa?

Quais os argumentos que um Técnico de Segurança poderá utilizar para “convencer” a organização onde trabalha para implementar Sistema de Gestão de Segurança no Trabalho.

Se eu fosse um “patrão” e viesse um Técnico com essa conversa a minha pergunta seria: o que ganhamos com isso?
1- Eliminar e minimizar riscos para os trabalhadores. Mas o facto é que dificilmente consigo convencer alguém que só vê cifrões à frente com este argumento. Um gestor diria: então, não será necessário implementar nada, basta cumprirmos a legislação, boas práticas e este aspecto está salvaguardado.
Na verdade não está salvaguardado, pois possivelmente a organização não tem um método sistematizado para fazer isto e sem método, podemos correr o risco de não estar a par de tudo.
O que me leva ao Argumento 2
- As normas ao obrigarem o cumprimento da legislação, definem uma sistematização da avaliação da conformidade legal, prevenindo desta forma dissabores com coimas e multas associadas à SST.
3- A imagem que a empresa quer projectar, um argumento apontado sobretudo se a empresa tiver como clientes empresas já certificadas que valorizam este aspecto. O que ganha? Cliente mais satisfeito. E cliente mais satisfeito volta sempre a solicitar os nossos produtos ou serviços.
Existem alguns trabalhos que referem esta razão como realmente relevante, como por exemplo uma tese [2] onde é referido que “as empresas elegeram como maioria a razão melhoria da imagem da organização com a redução de acidentes de trabalho com 80%.”
4-Diminuição da taxa de absentismo devido a doenças profissionais e acidentes de trabalho. Mas este argumento só é aplicável se realmente conhecermos os números e estes forem elevados. Se estivermos perante uma empresa onde não existem registos de quase nada, este argumento passa ao lado do gestor.
5-A implementação de um sistema de SST obriga a existirem indicadores que poderão ser essenciais para delinear estratégias, calcular custos e verificar a real evolução da sinistralidade (e não só!).
6- Ao ter um SGSST, é muito possível que os níveis de sinistralidade diminuam, pelo que aumenta para a organização a Possibilidade de negociação de pacotes de seguros mais atractivos;
7-Os sistemas de gestão de SST obrigam a um envolvimento dos colaboradores, através de acções de sensibilização, formação e informação. Uma melhoria significativa será a abertura de linhas de comunicação entre os diversos sectores, definição de responsabilidades e autoridades dentro da organização e consequentemente uma motivação maior de todos os colaboradores (haverão sempre os velhos do Restelo que pura e simplesmente nunca gostarão muito da ideia!)
Até à próxima!

Algumas fontes utilizadas para este post:
 [1] Saúde e Segurança do Trabalho: Estudo da Capacidade e Desempenho das Empresas e a sua Integração no Negócio . CTCV. Disponível no endereço: http://www.iapmei.pt/resources/download/bbp_estudo_sectorial_sest
[2] “O impacto do sistema QAS nas PME” disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/7967/1/Tese.pdf


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...