sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Há 26 acidentes de trabalho por hora. Quedas são principal causa de morte

Custo médio por acidente ronda os 1535 euros e tem subido todos os anos

Nem todos são graves ou incapacitantes, mas a cada hora que passa há 26 acidentes de trabalho em Portugal. A média, registada no ano passado, dá conta de todas as situações em que foram activados seguros de trabalho e resulta de uma extrapolação feita pela Associação Portuguesa de Seguradoras, a partir dos dados de associadas que representam 92% do mercado. Em 2009 foram pagos 487 milhões de euros pelas seguradoras, na grande maioria a trabalhadores por conta de outrem - apenas 26 milhões a independentes.

O custo médio por acidente ronda os 1535 euros e tem subido todos os anos, apesar de o número absoluto de incidentes ter baixado 6,3% no ano passado. Doenças músculo-esqueléticas são as mais frequentes causadoras de incapacidades e baixas, enquanto as quedas são responsáveis por 41,1% dos acidentes mortais.

Cruzando os dados das seguradoras e da Autoridade para as Condições do Trabalho, há discrepâncias decorrentes de nem todos os acidentes serem de notificação obrigatória. Mas na liderança não há dúvidas: o esforço excessivo e o mau posicionamento no trabalho são, ano após ano, responsáveis pela maioria dos danos profissionais. Outro problema frequente é a surdez causada pelos níveis de ruído elevados, segunda doença mais participada ao centro nacional de protecção contra os riscos profissionais.

As dez principais causas de acidentes têm variado ligeiramente na última década, mas as quedas têm um lugar de destaque tanto na Europa como nos Estados Unidos. Reacções a produtos químicos e biológicos estão no quarto lugar da lista, seguindo-se acidentes rodoviários em trabalho.


Ian Noy, director do Instituto de Investigação para a Segurança da Liberty, explica que um acidente de trabalho tem um custo social três vezes superior ao directamente reportado pelas empresas e seguradoras. Sublinhando que além da importância em termos humanos o investimento em prevenção tem um retorno financeiro inequívoco, o especialista em ergonomia afirma que "a segurança não pode ser olhada como um encargo adicional ou um luxo".
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